quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

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Trabalho: é bom estar de volta!


Voltei ao trabalho e todos os dias morro de sono já na parte da manhã. É um sacrifício não pedir pra minha chefe me deixar voltar pra casa dormir. As pendências todas, as cobranças, o estresse, o telefone tocando, a falta de sentido na minha vida, a vontade de largar tudo e ficar debaixo das cobertas: eu luto contra tudo isso todos os dias. E vou continuar lutando, pois não acho que a minha vida tenha que parar porque minha mãe não está mais aqui... ocupar a cabeça tem sido essencial.

Quando minha avó faleceu - antes da minha mãe sequer sonhar que eu nasceria um dia - minha mãe também ficou sozinha, pois era só ela e a vó. Quando a vó morreu, a vida da minha mãe também não parou. Ela continuou trabalhando normalmente, pagando suas contas, comprando suas coisas... vivendo. Estou seguindo o exemplo. 

Tenho muita coisa pra aprender e pra mudar na minha rotina. Cozinhar, lavar roupa, manter a casa limpa, fazer mercado, batalhar grana pra pagar agora 100% das contas, providenciar consertos para coisas que estragam em casa, manter uma vida social... tudo! Isso ocupa minha cabeça o suficiente pra minimizar o tempo que tenho disponível pra sofrer. E vejam bem, não é que eu não sofra... é que eu evito ficar ociosa justamente pra não sofrer. É praticamente um TOC. Mas é inevitável que em algum momento, uma música diferente que toca através dos fones de ouvido, uma imagem de outdoor, uma cena da novela, um momento de nostalgia olhando pra algum canto da casa, façam meus olhos encherem de água, ou traga aquele típico nó na garganta que a gente segura pra não se transformar em lágrimas e soluços. Fácil não é. 

Hoje encontrei o endereço de e-mail do médico que fez a cirurgia da minha mãe e mandei para ele um texto de agradecimento. Apesar de minha mãe ter ficado em coma todos os dias depois da cirurgia até o dia do falecimento, ele me fez esse imenso favor de mantê-la viva pra eu poder me preparar psicologicamente e emocionalmente para sua partida. Se ela tivesse morrido já na cirurgia, ou até mesmo no local do acidente, seria muito mais difícil pra mim.

O povo do meu trabalho estava bem afim de me dar um cachorro de presente de aniversário atrasado, e eu até tinha gostado bastante da ideia. Não tenho família, agora moro sozinha e tal... mas falei para eles que era melhor não, pois o bichinho ia sofrer muito na solidão. Ele ficaria sozinho praticamente das 07h as 19h de Segunda a Sexta. Que dó, né?! Vamos ver o que vão me dar de presente agora que estraguei a ideia do cachorro... :p

É isso gente... a vida segue. Tem dias que chego em casa e desmorono, de soluçar, de achar que nunca mais vou parar de chorar, de faltar ar. Tem dias que é difícil acordar, difícil olhar pro espelho, difícil "me arrumar"... mas na maior parte do tempo consigo me manter bem. :)

Quem me conhece sabe que não sigo nenhuma religião, que não curto bandas religiosas nem nada disso... mas tem uma música do Rosa de Saron que tem uma parte que explica a minha atual situação:

♫ Hoje muitos choram, mas não desistem de viver
Hoje muitos choram sorrindo
A vida passa como um rio 
E não é mais tudo tão lindo 
 Nos resta apenas confiar em Deus 
 Nos resta apenas confiar 

1 xiliques!:

Valérie Roberto disse...

Querida, este momento é muito difícil, mas pelo o que vejo vc está se saindo melhor que a encomenda.

recorra a um terapeuta se achar que precisa. Parece bobagem, mas ele sabe ouvir e sabe o que dizer para as coisas se acertarem no seu coração.

Quanto ao bichinho, vc gosta de gatos? Eles são carinhosos sim e não morrem de solidão. A minha gata solta rojões quando saio de casa...rsrs

Um beijo, fica em paz!