O fim de semana foi agradável, de modo geral... mas rolou um misto de culpa, saudade e agonia no Domingo a noite. Chorei horrores, passei mal, me culpei por coisas que não são relevantes e que não foram culpa minha, pensamentos irracionais. Sofri. E sempre sofro quando chega a noite.
Lembro que quando terminou meu primeiro namoro, meu mundo caiu, literalmente. Eu não podia acreditar, pois não percebi nenhum dos sinais. Achava tudo lindo, maravilhoso, achava que iríamos casar... fazia planos. Mas um dia, ele percebeu que não daria certo e terminou comigo. Passei mais ou menos uns 6 meses sendo a pessoa mais desagradável do mundo... quase não falava, raramente sorria, raramente respondia a alguma pergunta com uma resposta positiva, me isolava das pessoas, ficava com o olhar fixo em algum ponto aleatório, totalmente alheia ao mundo ao meu redor. "Bom dia!" e eu respondia "Valeu". Desse jeito. Essa foi a primeira vez que "perdi" alguém, e a reação foi até normal pra uma marinheira de primeira viagem... só que bastante exagerada.
O segundo namoro acabou de forma muito menos turbulenta, e todo mundo achando que eu estava ótima. E estava mesmo, pois me esforçava para isso. Óbvio que tinha algumas recaídas, óbvio que ficava melancólica e lembrando de momentos do passado, óbvio que as vezes - poucas, admito - até chorava... mas ninguém ficava sabendo. Depois da primeira experiência, percebi que não vale a pena se fechar na concha, afastar as pessoas e ser desagradável como eu fiz. Pois depois que passa, a gente olha pra trás e pensa: "Como fui idiota... ninguém tinha nada com isso e eu descontei em todo mundo a minha dor! Perdi 6 meses da minha vida me isolando de tudo e de todos."
Eis que agora não tenho mais a minha mãe. E fiz questão de não deixar minha vida parar. As vezes nem tenho tanta vontade assim, mas saio, socializo, e acabo dando umas risadas, esquecendo da realidade por algumas horas. E vendo meu Facebook, por exemplo, muita gente deve achar que eu já superei, que estou ótima, saindo, curtindo a minha vida, com amigos, comendo, bebendo, saindo pra dançar... há. Ainda há quem acredite na famosa "felicidade de Facebook". Uso o mesmo princípio de quando terminou meu segundo namoro: eu sei que ninguém gosta de ficar acompanhando problemas alheios. Ainda mais em redes sociais. Eu tento poupar as pessoas, sofro sozinha, e desabafo só quando vejo que realmente não haverá outro jeito pra eu me sentir melhor.
Só eu sei o quanto estou sofrendo, o que se passa na minha cabeça, o quanto eu choro todos os dias. Ninguém pode me julgar por uma rede social, ou por um dia de trabalho.
Aliás, o trabalho... tem sido difícil... não tenho foco, não consigo fazer muita coisa, quase não estou rendendo, custo a levantar da cama. E as pessoas achando que eu estou ótima, que estou fria. Aham, senta lá, Claudia. Melhor, senta lá na minha casa e espera pra ver o que acontece comigo antes de dormir... espera.
Eu acho que se não fosse o meu esforço gigante pra não deixar a preguiça de viver tomar conta de mim, eu me trancava em casa e não abria nem as janelas mais... passaria os dias lá, sentada - provavelmente no chão - sem ao menos ver a luz do dia. E isso me levaria a que?! A nada. Quem vai pagar minhas contas? Quem vai limpar a minha casa? Quem vai cuidar das minhas coisas? Eu não tenho como ficar esperando a vida acabar sem fazer nada. Tenho que trabalhar, pra ter dinheiro e pagar as contas, comprar coisas pra casa, comida, remédio, minhas roupas e tudo o mais que eu precisar... pra fazer valer a pena tudo o que minha mãe precisou ralar pra não me deixar na mão quando ela faltasse. Em respeito a isso não posso me dar ao luxo de ficar em casa chorando... até gostaria, sabe?! Mas não posso.
E já disse que sigo o exemplo... minha mãe passou pela mesma coisa quando a mãe dela se foi, e ficou firme e forte, continuou sua vida. Ela é minha inspiração, é dela própria que tiro minhas forças. Mas definitivamente, isso não quer dizer que eu não sinta, que eu não sofra, que eu não chore, que eu não tenha insônia, que eu não passe mal, que eu não lembre, que eu não tenha vontade de desistir de tudo. Não quer dizer que eu não durmo na cama dela as vezes, numa tentativa frustrada de me sentir "mais perto". Não quer dizer que eu não abro o guarda-roupas dela pra olhar cada peça e, através delas, lembrar de cada momento diferente que for possível.
Nem tudo é do jeito que você vê. Think about it. ;)

4 xiliques!:
Daia, muito bom texto! E mesmo vendo que vocÊ ta tentando seguir a vida sem se deixar cair, todos sabemos que vocÊ não ta bem, percebemos isso, queremos ao menos no nosso horário de trabalho te deixar bem,falar alguma besteira,para te alegrar no momento, na verdade é única coisa que podemos fazer...tentar colocar um sorriso no seu rosto.
Continue sendo uma mulher forte assim como sua mãe foi, com certeza onde ela estiver hoje ela vai ficar feliz te vendo bem e sendo uma guerreira como ela.
Saiba que estou aqui para o que precisar ... beijoss!
vc é foda!
Sem palavras!
O que dizer... Daia neste momento pode parecer que realmente muitos estejam achando que vc está bem, mas na verdade todos sabem que não, apenas tentamos não tocar no assunto porque sabemos que isso machuca, então preferimos falar coisa banais, mas estamos aqui ok,Eu estou para o que precisar e é assim que a vida continua, seja "forte" como está sendo, que Deus abençõe você e te de forças, pois guerreira vc já é!
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